quinta-feira, 30 de julho de 2015

A minha segunda declaração de amor.

És provavelmente a coisa mais minha de todas as minhas coisas. Tens-me a cada passo, a cada nova conquista, a cada novo gesto. Tens-me presa a ti, envolta na tua inocência e na beleza do que fazes. Aqui me declaro, viciada no teu cheiro e injectada de amor a cada sorriso. Amo-te. Amo-te tanto.

Ser mãe é querer muita coisa e mergulhar na frustração de não ter o mínimo controlo sobre aquilo que vai acontecer a seguir [a seguir, ou daqui a 10 anos, que é quase a mesma coisa].

O tempo foge-nos dos dedos, as ideias fixas e os "eu quando for mãe vou..." vão se desvanecendo e ficam apenas as certezas de que isto é o maior amor da nossa vida, e que por isso temos que cuidar e dar o nosso melhor. 

Ser mãe é difícil, mas sabe a chocolate, a baunilha e a morango nos momentos bons. E isso é o que interessa. 

"És o gelado do meu Verão".

Férias

Estamos de férias, finalmente.
O período de férias é dividido entre os avós do Norte e os do Sul. 
É tempo de ter paciência para aturar todas as cedências (demasiadas) que te são permitidas, sob a desculpa de que "oh, eles nunca estão com ele, têm que o mimar agora". O teu pai torce o nariz às cedências dos meus pais, eu torço o nariz às cedências dos pais dele. Damos a mão por debaixo da mesa mais tarde, em jeito de reconciliação e como pedido de desculpa silencioso pela falta de compreensão momentânea. 
Na verdade, as férias são tempo para te ver brincar. Brincar muito. Com os teus tios, que ficam derretidos contigo, e com os avós, que muitas vezes não conseguem conter a emoção que é ter-te com eles. 
As férias são para estar em família. Em casa, em tardes de sofá, desenhos animados, riscos nos cadernos e gargalhadas. Na praia, a brincar com a areia e os carrinhos. Na rua, onde voltamos a pisar as cidades que tanto gostamos de visitar em Portugal e onde nos sentamos em esplanadas a devorar gelados. 
As férias são tempo de estar com o teu pai.  Aproveitar a boa vontade dos avós e sair para beber um copo, jantar com amigos, passear a dois.
As férias são tempo também de fazer balanços. Aproveitar a mudança de ares e os dias longe do trabalho para definir novos objectivos, novos caminhos. Gosto de fazer listas de coisas que quero por em prática a seguir. Mesmo que não consiga por tudo em pratica, alguma coisa se há-de fazer e já não é mau. 

As férias não são perfeitas, nunca. Queixamo-nos sempre que foi pouco tempo, que não descansamos como devíamos. Mas o amor e o carinho que daqui levamos compensa tudo. É bom estar de volta. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Do valor que os pais têm e os dias menos bons

Uma das coisas mais importantes e valiosas na vida são os nossos pais. 
São eles que nos trazem ao Mundo, que nos educam e dão o exemplo, que estão sempre lá para nós, independentemente das dificuldades (o mesmo se aplica às pessoas que não sendo pais biológicos, exercem a mesma função). 

Hoje o meu coração está pequenino. 
A 3000 km de distância da restante família, nós lutamos todos os dias por te dar uma vida estável e feliz. Isso implica que nos desdobremos em logísticas apertadas, horários de trabalho prolongados à vez, muita frustração quando o tempo não chega para tudo, e stress, muito stress. 

Olho para as dificuldades da nossa vida, e tento lembrar-me de todos os pais que conheço, incluindo os meus. Há dias em que me ponho a pensar: como é que eles fizeram isto? Como é que eles criaram 3 filhos, em condições nem sempre favoráveis, com stress e dificuldades financeiras pelo meio, e se mantêm num casamento há quase 30 anos? 

Gostava de ter uma estabilidade e uma rede de apoio que não tenho. Gostava de poder passar mais tempo com o meu filho, mas na verdade não me posso queixar. Tenho muito mais tempo só para ele do que muitos pais em Portugal, porque vim parar a um país que assim o permite. Mas trabalho numa área que é demasiado ingrata para a minha vida pessoal e familiar. Não sei como vai ser o futuro, não tenho horários fixos, trabalho de forma contínua, até enquanto lavo a loiça em casa. O meu cérebro só pára realmente de pensar em trabalho e estratégias para garantir um futuro estável à minha família quando estou a brincar com o meu filho, porque aí me obrigo a parar. É que já não sou só eu. Sou eu e ele. E somos nós os dois a 3000 km de distância e com uma vida pela frente...

(Filho,)
Aquilo que eu vinha mesmo aqui dizer é que, independentemente das dificuldades, do stress, dos dias menos bons e das coisas que possas ver e ouvir ao longo da tua vida, tu tens uma mãe e um pai que te amam infinitamente e que não colocam ponto de interrogação nenhum quando o assunto é ter-te nas nossas vidas. Estaremos sempre aqui para ti. 


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Desejos

Quero que cresças feliz, muito feliz (desejo de todas as mães deste planeta). Seja em que circunstância e em que lugar for. 
Gostava de te ver a cuidar bem dos teus pais e restantes familiares. Com respeito, com carinho, com cumplicidade. Gostava que não tivesses problemas em dizer “Amo-te”, “Gosto muito de ti”, “És muito importante para mim”. 
Queria que carregasses contigo luz e tranquilidade. A vida é mais fácil quando se carrega tranquilidade, filho. Quando se acorda a saber o propósito do nosso dia, e se enfrentam as dificuldades sem medos.
Gostava muito que fosses confiante. Acreditar em nós mesmos é meio caminho andado para conseguir atingir objectivos. Não tenhas medo. Nenhuma vida acontece sem obstáculos. A diferença está sempre no quão valentes nós somos a enfrentá-los. 

Sorri, sorri muito. Sorri quando te sorrirem, sorri quando te derem a mão, sorri quando te elogiarem, sorri sempre que te apetecer. E abraça, filho, abraça muito. Existem muito poucas coisas que saibam tão bem quanto um abraço. 

[Coisas que me passam pela cabeça enquanto te vejo brincar, enquanto pedalo contigo a caminho da escola, enquanto te vejo a lutar (em forma de birra) por aquilo que queres] 

Tens noção do quão importante és para mim?
A cabeça de uma mãe é uma máquina de sonhos, de desejos e de preocupações. É esta a minha condição. 



A minha primeira declaração de amor.

Hoje foi o dia em que, a 800kms de distância decidi começar a escrever. Não um diário (não por enquanto), mas um conjunto de notas com memórias. Sobre aquilo que me faz mais feliz, Tu. 

No dia 5 de Agosto de 2013 descobri que estava grávida. Não estava à espera (nem eu nem o teu pai estávamos). Mas dentro de mim havia uma tranquilidade inexplicável. Uma inabalável certeza de que o que crescia dentro de mim era algo importante. Tu foste a melhor das surpresas e não há um único dia em que não ache que a minha vida é mais completa, mais bonita e mais fascinante porque tu estás cá. És uma dádiva, e por mim vivia a olhar para ti. Nem sempre posso, mas faço o meu melhor para estar aqui para ti, a acompanhar-te e a ver-te crescer. 

Bem, mas estava a contar uma história. No dia em que descobri que estava grávida, começou o período mais feliz da minha vida. Os meses que se seguiram até ao teu nascimento foram de puro encanto. Acordava e adormecia com um sorriso na cara. Dava gargalhadas sonoras e passava a vida a exibir a minha barriga, linda. A minha barriga de ti. 

Esperar por ti foi bom, tão bom. Mas conhecer-te foi ainda melhor. 
A minha vida vai ter sempre uma linha que separa o "antes" e o "depois" de ti. Toda a gente reconhece as diferenças e ainda bem que assim o é. 


Hoje tens 14 meses, já a caminho dos 15 e és um máximo. Começas a perceber tudo aquilo que fazemos, e tentas imitar. Não gostas que eu e o pai usemos o computador ou o telemóvel quando estás a brincar. Exiges atenção, e ainda bem. Exige sempre. Exige à vontade! Já não gostas de papas, mas o teu pai continua a insistir contigo para que tu as comas. Diz que não quer "que fiques magrinho". Não estás magrinho. Na verdade és um rechonchudo amoroso.

Já mexes em plasticina e começas a fazer "desenhos". Brincas muito com carrinhos e com os animais de quinta em miniatura que o teu pai fez questão de comprar. Dás corridas de uma ponta à outra da sala em que quase levantas voo (mesmo). E tens uma particular fixação em dar voltas ao sofá (tantas) enquanto estamos sentados nele ou no chão, e enquanto brincamos contigo na sala.

Adoras brincar na areia, e não te importas nada de te sujar para brincar. Tens os meus olhos, mas a boca e as covinhas nas bochechas são do teu pai. Tens o cabelo parecido com o meu, mas mais claro, com um remoinho que se transformou num caracol incontrolável na testa. És lindo, lindo, e muito simpático. Também te irritas. Dás gritos estridentes quando te sentes frustrado. Eu tento ignorar, mas é porque acho importante que sejas tu a resolver os teus problemas e frustrações. O teu pai é mais sensível a eles, e dá-te muito, mas muito colo. Somos totalmente apaixonados por ti, cada um à sua maneira.

Esta é a minha primeira declaração de amor. Se não for, é a primeira declaração de amor que realmente interessa. De mim para ti, neste blogue que não é um blogue qualquer.

(Post escrito no dia 26 de Junho de 2015, por uma mãe a morrer de saudades)